O que é a artrose de mão e a rizartrose
Cada articulação da mão tem as superfícies ósseas revestidas por cartilagem articular, um tecido liso que permite o deslizamento sem atrito. A artrose é o desgaste progressivo dessa cartilagem. Quando ela se adelgaça, o contato entre os ossos muda, aparecem osteófitos nas bordas da articulação e o movimento começa a doer.
A rizartrose é a artrose na base do polegar, na articulação trapézio-metacarpiana. Ela merece destaque por uma razão de engenharia: essa é a articulação que permite ao polegar se opor aos outros dedos, gesto que está em praticamente tudo o que a mão faz. É uma articulação com muita mobilidade e, por isso mesmo, muito solicitada.
Os sintomas seguem um padrão reconhecível. Dor na base do polegar ao girar uma chave, abrir um pote, apertar um botão ou torcer um pano. Rigidez matinal que melhora com o movimento. Perda de força na pinça, que costuma ser percebida antes pela dificuldade em tarefas específicas do que por uma sensação geral de fraqueza.
Aqui vale dizer com todas as letras uma coisa que orienta o tratamento inteiro: nenhum tratamento recupera a cartilagem desgastada. O objetivo é aliviar a dor e manter a função. Dizer isso na consulta não é pessimismo, é a base para escolher bem o caminho e não perder tempo com promessas que não se sustentam.
Situações que aparecem com frequência no consultório
“Não consigo mais abrir potes”
A perda de força na pinça é um dos primeiros sinais funcionais. A conversa sobre tratamento começa exatamente por aí: quais gestos você deixou de fazer.
“Dói na base do polegar quando giro a chave”
Esse é o gesto mais característico da rizartrose. Ele combina compressão e rotação na articulação trapézio-metacarpiana, e reproduz a dor com precisão.
“Minhas juntas dos dedos estão engrossando”
Nódulos nas articulações dos dedos são uma apresentação comum da artrose da mão. Eles nem sempre doem, e o tratamento é guiado pela limitação funcional.
“Vi um tratamento que promete regenerar a cartilagem”
Circula bastante promessa nesse sentido. Nem tudo a gente consegue regenerar, e alinhar essa expectativa faz parte do atendimento.
Como o diagnóstico é feito
A avaliação começa pela função. Quais movimentos doem, o que você deixou de fazer, como se comporta a rigidez ao acordar, se a dor acorda você à noite e o quanto ela interfere no trabalho e nas tarefas de casa.
O exame físico localiza a articulação envolvida, avalia a amplitude de movimento, testa a força de pinça e de preensão e procura instabilidade ou deformidade associada. Manobras específicas de compressão da base do polegar ajudam a confirmar a rizartrose e a diferenciá-la da tenossinovite de De Quervain, que dá dor em região próxima mas com padrão distinto.
A radiografia mostra o grau de desgaste, o estreitamento do espaço articular e a presença de osteófitos. Ela é útil para graduar, mas não decide sozinha: o que orienta a conduta é o impacto na sua função.
| Grau de queixa | Achado habitual | Conduta inicial |
|---|---|---|
| Dor ocasional em gestos específicos | Desgaste leve a moderado | Órtese em atividades, adequação de esforço |
| Dor frequente com perda de força | Desgaste moderado, osteófitos | Órtese, reabilitação, infiltração em casos selecionados |
| Dor constante com limitação importante | Desgaste avançado | Avaliação para procedimento reconstrutivo |
Caminhos de tratamento
O primeiro passo reúne órtese e adequação de esforço. A órtese de polegar dá repouso relativo à articulação em momentos de maior dor e em atividades que sobrecarregam a pinça. A adequação de esforço envolve rever gestos e utensílios: abridores adaptados, cabos mais grossos, mudança na forma de segurar objetos. São medidas simples com efeito real sobre a solicitação diária da articulação.
A reabilitação entra em seguida. A terapia de mão trabalha mobilidade, estabilidade e força dentro de limites que não agravam o quadro, com o objetivo de preservar a função disponível.
A infiltração é opção em casos selecionados. Além do anti-inflamatório, o ácido hialurônico é usado em situações específicas, com o objetivo de aliviar a dor e melhorar o movimento. Ele não regenera cartilagem. Os detalhes estão na página de infiltração e medicina regenerativa.
Procedimentos reconstrutivos entram quando a dor persiste apesar do tratamento conservador bem conduzido e compromete de forma relevante o uso da mão. Existem diferentes técnicas, entre elas a artrodese e a artroplastia, e a escolha depende da articulação, do grau de desgaste e do que você precisa recuperar. Essa conversa é feita com riscos, benefícios e tempo médio de recuperação na mesa.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma consulta quando a dor na mão passa a limitar tarefas do dia a dia, quando a força para abrir potes e girar chaves diminui, quando a rigidez matinal se prolonga ou quando aparece deformidade progressiva nas articulações.
Artrose é uma condição de acompanhamento, não de consulta única. Melhor do que uma consulta é uma série de consultas com o paciente, e esse acompanhamento com o cirurgião da mão em Montes Claros ajusta o plano conforme o quadro e a rotina mudam ao longo do tempo.