Lesões que passam como “só uma torção”
Algumas lesões da mão e do punho são sutis. Não deformam, não incham de forma dramática e não aparecem no raio-x. O paciente sai do primeiro atendimento com a informação de que “não quebrou nada” e segue a vida com uma lesão ligamentar não tratada.
O exemplo mais citado é a lesão do ligamento colateral ulnar do polegar. Ela acontece depois de uma pancada que abre o polegar para o lado, o que é comum em queda com a mão apoiada, em esportes de bola e em acidentes com guidão. Esse ligamento é o que sustenta a pinça, o gesto de segurar uma chave, abrir uma garrafa ou apertar um botão. Quando ele rompe, a articulação perde suporte, e o paciente descreve uma frouxidão difícil de nomear.
Em muitos casos essa lesão é cirúrgica, e precisa de avaliação rápida para evitar instabilidade. A razão é que o ligamento rompido pode se deslocar de posição, o que torna a cicatrização espontânea improvável. Quanto mais tempo passa, mais o cenário se afasta de um reparo direto.
O mesmo raciocínio vale para outras estruturas: o ligamento escafolunar no punho, a fibrocartilagem triangular no lado do dedo mínimo, o tendão extensor na ponta do dedo e as polias dos flexores em quem faz treino de pegada.
Essa é a área de que o Dr. Rodrigo mais gosta dentro da cirurgia da mão, e o atendimento a quem pratica esporte e musculação faz parte da rotina do consultório.
Situações que aparecem com frequência no consultório
“Levei uma bolada no polegar e ele ficou bambo”
Sensação de frouxidão ao fazer pinça é o sinal principal de lesão do ligamento colateral ulnar. O teste de estabilidade, comparando com o polegar do outro lado, esclarece o quadro.
“A ponta do dedo ficou caída depois da pancada”
É o padrão conhecido como dedo em martelo, causado pela desinserção do tendão extensor na última falange. A órtese em posição específica costuma ser a base do tratamento, e o tempo de avaliação conta.
“Senti um estalo no dedo durante o treino de barra”
Ruptura de polia é uma lesão de quem treina pegada. A dor na face palmar do dedo durante o esforço orienta a avaliação, e o retorno ao treino é progressivo.
“Torci o punho e ele estala desde então”
Estalo com dor, sensação de falseio ou perda de força no apoio podem indicar instabilidade do carpo ou lesão da fibrocartilagem triangular. São lesões que o raio-x não mostra e que pedem exame dirigido.
Como o diagnóstico é feito
A consulta começa reconstituindo o gesto que causou a lesão. A direção da força, a posição da mão no momento do trauma e a presença de estalo já reduzem muito o leque de hipóteses.
O exame físico é o centro da avaliação. Ele aplica estresse controlado sobre cada ligamento, sempre comparando com o lado não lesionado, que funciona como referência individual. Também avalia a amplitude de movimento, os pontos dolorosos precisos e a força de pinça e de preensão.
O raio-x entra para descartar fratura associada e para identificar avulsões, que são pequenos fragmentos de osso arrancados pelo ligamento. Ele pode vir normal em lesões puramente ligamentares, e isso não descarta nada. Exames complementares, incluindo imagem avançada, entram quando mudam a conduta. Em situações selecionadas, a artroscopia de punho permite avaliar e tratar lesões dentro da articulação por pequenas incisões.
| Lesão | Gesto típico | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Ligamento colateral ulnar do polegar | Pancada que abre o polegar | Frouxidão ao fazer pinça |
| Dedo em martelo | Bolada na ponta do dedo | Ponta que não estica ativamente |
| Ruptura de polia | Esforço de pegada na barra | Estalo com dor na palma do dedo |
| Lesão escafolunar ou da fibrocartilagem | Queda com a mão apoiada | Estalo com dor e falseio no apoio |
Caminhos de tratamento
Quando a lesão é estável, ou seja, quando o ligamento manteve sua função de suporte, o tratamento é conservador. A órtese termomoldável protege a articulação na posição adequada por um período definido, e a reabilitação vem em seguida, recuperando amplitude, força e controle. A terapia de mão tem papel importante nessa fase.
Quando existe instabilidade, o reparo cirúrgico do ligamento é discutido. O objetivo é devolver o suporte à articulação, e a técnica depende do ligamento envolvido, do tempo desde o trauma e da qualidade do tecido. Em lesões com avulsão óssea, a fixação do fragmento pode fazer parte do procedimento.
Em qualquer um dos caminhos, o retorno à atividade é progressivo e acompanhado. Para quem treina, isso inclui conversar sobre pegada, volume e progressão de carga, em conjunto com quem orienta o treino. A decisão sobre o momento de retomar leva em conta a modalidade e a exigência específica da mão nela.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma consulta quando, depois de um trauma, restar sensação de frouxidão na articulação, dor que não melhora em alguns dias, estalo com dor, perda de força na pinça ou um dedo que não estica sozinho. Também quando um raio-x normal não explicou a persistência do sintoma.
Nem toda mão precisa de cirurgia. Toda mão precisa de um diagnóstico certo. Em lesões ligamentares, esse diagnóstico depende de um exame físico dirigido, feito por quem conhece a anatomia e a biomecânica de cada estrutura da mão e do punho — é o que um cirurgião da mão em Montes Claros procura na avaliação.