O que são as tendinites da mão e do punho
Tendão é a estrutura que liga o músculo ao osso e transmite a força do movimento. Na mão e no punho, os tendões deslizam por compartimentos estreitos, cada um com seu envoltório. Quando esse deslizamento encontra resistência por uso repetido, o envoltório se irrita, engrossa e o espaço fica ainda mais apertado. Esse é o mecanismo geral das tendinites e das tenossinovites da região.
A forma mais conhecida é a tenossinovite de De Quervain, que acomete o primeiro compartimento extensor, no lado do polegar junto ao punho. Ali passam dois tendões, o abdutor longo do polegar e o extensor curto do polegar. A dor aparece ao girar a mão, ao fazer pinça e ao segurar peso com o polegar afastado. Levantar uma criança no colo, torcer um pano, abrir uma tampa e usar o celular com o polegar são gestos que costumam reproduzir o sintoma.
Existem outras tendinites frequentes na região, envolvendo os extensores do punho ou os flexores, cada uma com seu ponto doloroso característico. A localização precisa da dor é, na prática, o principal elemento de diagnóstico.
Esse grupo de condições está ligado a esforço repetitivo e aparece com frequência em contextos de LER e DORT. Isso não significa que o trabalho seja o único fator: alterações hormonais, período pós-parto, mudanças de rotina e início de uma nova atividade física também entram na conta.
Situações que aparecem com frequência no consultório
“Dói quando pego meu filho no colo”
É a descrição mais característica de De Quervain. O gesto combina afastamento do polegar com desvio do punho, exatamente a combinação que põe os tendões do primeiro compartimento sob tensão.
“Começou depois que mudei de função no trabalho”
Mudanças de rotina, de ferramenta ou de volume de tarefas são gatilhos comuns. O plano de tratamento inclui olhar para o gesto que se repete, não apenas para o tendão inflamado.
“Tomei anti-inflamatório, melhorou e voltou”
O alívio temporário sem mudança no fator que causou o quadro costuma resultar em recorrência. Por isso a conduta associa alívio, proteção e ajuste da atividade.
“Faço fisioterapia há meses e continuo igual”
Sem progresso, o diagnóstico é reavaliado. Dor no lado do polegar também pode vir de rizartrose, e as duas condições pedem caminhos diferentes.
Como o diagnóstico é feito
O ponto de partida é mapear o gesto que provoca a dor. Qual movimento dói, há quanto tempo, em qual atividade, e o que mudou na rotina antes de o sintoma aparecer.
O exame físico localiza a estrutura envolvida com precisão. Na tenossinovite de De Quervain, a dor se concentra sobre o primeiro compartimento extensor, e o teste de Finkelstein reproduz o sintoma ao colocar os tendões sob tensão. Em outras tendinites, a palpação dirigida e os testes de resistência identificam o compartimento comprometido.
O diagnóstico diferencial importa. Dor no lado do polegar também pode vir de rizartrose, que é a artrose na base do polegar, e o tratamento das duas condições é diferente. A ultrassonografia musculoesquelética apoia casos duvidosos, e o raio-x entra quando há suspeita de envolvimento articular.
| Queixa | Estrutura provável | Teste habitual |
|---|---|---|
| Dor no lado do polegar ao girar a mão | Primeiro compartimento extensor | Teste de Finkelstein |
| Dor na base do polegar ao girar chave | Articulação trapézio-metacarpiana | Manobra de compressão articular |
| Dor no dorso do punho ao apoiar | Extensores do punho | Extensão resistida |
| Dor na palma com travamento do dedo | Polia e tendão flexor | Palpação da polia e teste de flexão |
Caminhos de tratamento
O tratamento é conservador na grande maioria dos casos, e tem três frentes que caminham juntas.
A primeira é o ajuste de atividades. Isso raramente significa parar tudo. Significa identificar o gesto que mantém a irritação e mudar a forma de executá-lo, alternar tarefas ou ajustar a ferramenta e a postura.
A segunda é a proteção com órtese. A órtese de polegar e punho mantém as estruturas em repouso relativo por períodos definidos, reduzindo o atrito repetido enquanto a irritação cede.
A terceira é a reabilitação. Fisioterapia e terapia de mão trabalham mobilidade, controle e fortalecimento progressivo, preparando o tendão para voltar a suportar a demanda. O acompanhamento é feito em conjunto, e as reavaliações acontecem no consultório.
A infiltração periarticular é opção em casos selecionados, quando o quadro não responde ou quando a intensidade da dor justifica. A indicação é definida na consulta, e os detalhes estão na página de infiltração e medicina regenerativa.
A cirurgia é reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador bem conduzido. Quando indicada, ela libera o compartimento por onde os tendões deslizam, e a conversa inclui riscos, benefícios e tempo médio de recuperação.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma consulta quando a dor no punho persiste por semanas, quando ela limita gestos simples do dia a dia, quando volta sempre que você retoma a atividade, ou quando meses de fisioterapia não trouxeram progresso.
Não existe receita de bolo. Duas pessoas com a mesma tendinite podem precisar de planos diferentes, porque a atividade que cada uma exerce e a forma como cada mão é usada não são iguais. Por isso o plano é montado caso a caso na consulta com o cirurgião da mão em Montes Claros.