O que está em jogo numa fratura de mão ou punho
As fraturas de mão, dedos, punho e antebraço estão entre as situações mais atendidas no consultório. Uma queda com a mão espalmada, uma pancada durante o esporte, um acidente com ferramenta ou um tropeço em casa: o mecanismo muda, mas a pergunta que chega é quase sempre a mesma. Precisa operar?
A resposta depende de três coisas. Primeiro, o desvio: o quanto os fragmentos saíram de lugar. Segundo, a estabilidade: se a fratura tende a se manter na posição correta durante a consolidação ou se tende a escorregar. Terceiro, o envolvimento da articulação: fraturas que atingem a superfície articular têm exigência de precisão maior, porque um degrau mínimo ali gera atrito ao longo dos anos.
Por trás dessas três variáveis existe um princípio simples. A mão é uma estrutura de precisão. Uma fratura que consolida fora da posição pode deixar deformidade ou perda de movimento, e reconstruir depois é sempre mais difícil do que alinhar na hora certa.
Os ossos envolvidos variam. O rádio distal, na base do punho, é o mais frequente em quedas. O escafoide carpal, um dos ossos pequenos do punho, merece atenção especial porque nem sempre aparece no raio-x inicial e tem risco de pseudoartrose quando passa despercebido. Nos dedos, as fraturas dos ossos metacárpicos e das falanges trazem o desafio adicional da rotação.
Situações que aparecem com frequência no consultório
“Caí com a mão espalmada e o punho inchou”
É o mecanismo clássico da fratura do rádio distal. O inchaço, a dor ao movimentar e a deformidade em degrau no punho são sinais típicos. A avaliação define se a posição dos fragmentos permite tratamento com imobilização.
“Levei uma pancada no dedo e ele ficou torto ao fechar a mão”
Esse é o caso em que o exame físico decide. Quando o dedo gira ao fechar a mão, a chamada deformidade rotacional, a indicação costuma ser cirúrgica, mesmo quando o raio-x parece pouco alterado.
“O raio-x deu normal, mas a dor não passa”
Fraturas do escafoide podem não aparecer na imagem inicial. A dor localizada na tabaqueira anatômica, na base do polegar, pede reavaliação e, muitas vezes, exame complementar. Escafoide não tratado é a causa mais comum de pseudoartrose no punho.
“Quebrei há meses e ficou torto”
Consolidações viciosas e sequelas também são atendidas. A avaliação define o quanto a deformidade compromete a função e quais opções existem para corrigir o alinhamento ou recuperar movimento.
Como o diagnóstico é feito
A consulta começa pela história do trauma: como aconteceu, há quanto tempo, o que foi feito no primeiro atendimento. O mecanismo já aponta padrões prováveis de lesão.
O exame físico vem em seguida e não se limita a olhar o alinhamento. Ele avalia a rotação dos dedos com a mão fechada, a estabilidade das articulações, os pontos dolorosos específicos e a sensibilidade, porque fraturas podem vir acompanhadas de lesão de nervo. Numa fratura de dedo, só o exame mostra se o dedo gira ao fechar a mão, e esse detalhe muda a indicação.
As imagens são lidas junto com o exame. O raio-x em incidências adequadas resolve a maior parte dos casos. Quando há suspeita de fratura do escafoide com imagem inicial normal, ou quando é preciso detalhar uma fratura articular, exames complementares entram em cena. A artroscopia de punho é uma técnica que, em situações selecionadas, permite tratar algumas fraturas e lesões da fibrocartilagem triangular por pequenas incisões.
| Tipo de fratura | O que costuma pesar | Conduta habitual |
|---|---|---|
| Rádio distal sem desvio | Estabilidade mantida nos retornos | Imobilização com acompanhamento |
| Rádio distal desviada ou articular | Desvio e envolvimento da superfície articular | Redução e osteossíntese, frequentemente com placa volar bloqueada |
| Metacarpo ou falange com rotação | Dedo que gira ao fechar a mão | Fixação cirúrgica |
| Escafoide | Risco de pseudoartrose | Imobilização prolongada ou fixação, conforme o traço |
Caminhos de tratamento
O tratamento com imobilização é indicado quando a fratura está bem posicionada e é estável, ou quando a redução incruenta, feita sem cirurgia, consegue e mantém o alinhamento. Nesse caminho, o acompanhamento durante o período de gesso é parte do tratamento, não formalidade: é ele que confirma que a posição se manteve.
A cirurgia entra quando o alinhamento não pode ser obtido ou mantido sem fixação. A osteossíntese devolve os fragmentos à anatomia e os estabiliza com placa e parafusos ou com fios de Kirschner, dependendo do padrão da fratura. Nas fraturas do rádio distal, a placa volar bloqueada é uma das opções mais usadas.
Quando as duas opções são válidas, entra a conversa que considera a sua vida. Quem precisa voltar logo ao trabalho pode se beneficiar da cirurgia. Quem prefere evitar o procedimento pode seguir com o gesso, sabendo o que isso significa em tempo de imobilização e em acompanhamento. Não existe receita de bolo.
Depois vem a reabilitação. A terapia de mão e a fisioterapia fazem parte do plano na maioria dos casos, e o trabalho é feito em conjunto, com reavaliações no consultório.
Quando procurar avaliação
Procure um pronto-socorro imediatamente quando houver deformidade evidente, ferimento aberto sobre a fratura, perda de sensibilidade, dedo pálido ou frio, ou dor intensa que não cede.
Marque uma consulta quando a dor persistir depois de um trauma, mesmo com raio-x considerado normal, quando o dedo ficar torto ao fechar a mão, quando o movimento não voltar depois da retirada do gesso ou quando uma fratura antiga tiver deixado deformidade ou limitação.
Melhor do que uma cirurgia é uma boa indicação. Nas fraturas, isso significa alinhar bem, imobilizar quando dá para imobilizar, fixar quando a fratura pede fixação, e acompanhar até o fim em qualquer um dos dois caminhos — o acompanhamento com o cirurgião da mão em Montes Claros segue do primeiro atendimento ao retorno da função.